VERDADE OU CONSEQUÊNCIA

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Qual é o seu jogo?

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cena 7 - O que devo dizer? A verdade?

Marina chegou na lanchonete onde Débora e Sebastião a esperavam. Ela ainda estava nervosa e havia atrasado mais de meia hora.

- Marina, nossa você demorou demais, já tava a fim de ir embora. Caramba amiga, você chama a gente, eu sai do trabalho mais cedo pra vir te ver e você demora desse jeito, que saco!

- Pô amiga, não briga comigo não que eu tô uma pilha! Já basta minha mãe me perseguindo, querendo tomar conta da minha vida e vem você brigar comigo. Se demorei foi porque tive que demorar, desculpa, mas não deu pra chegar antes. Só lamento.

- Tá, passa. Vai, me diz o que tá acontecendo, vai. Porque você tá assim? Ah, esse é o Sebastião, meu amigão. Pode falar perto dele de boa, que ele é `minha melhor amiga` (rs).

- Oi Sebastião, prazer. Nem sei se na verdade é um prazer pra você porque a coisa é feia e você já vem me conhecer num dia assim, que eu estou um caco.

- Nem liga, finge que eu nem tô aqui. Não se preocupe que eu sei bem o que é estar em um dia ruim... Mas de qualquer jeito, muito prazer também. A Débora fala de você todo tempo. Eu tava mesmo querendo conhecer você. Fico quietinho aqui.

- Ai gente, até bom mesmo ter mais alguém comigo, pois eu posso levar minha amiga à loucura, quem sabe assim você nos salva... (e sorriu nervosa.

- Tá amiga, mas fala vai, você tá nervosinha demais. Melhor falar que melhora.

- Gente, eu tava tentando, juro! Tava tentando esquecer o Pedro. Aí saí pra ir no cinema ontem, pra ver um filme desses bem nada a ver, pra ver se tirava o Pedro da minha lembrança. Fui sozinha pra não ter que conversar com ninguém mesmo. Aí, lá dentro do cinema, eu vi a broaca da noivinha do Pedro, umas 3 carreiras abaixo da minha cadeira, no maior grude com um carinha que eu nunca tinha visto! Daí não resisti, desci pra cadeira de trás deles, bem no silêncio, tomando o cuidado pra ela não me ver. Amiga eu vi cada coisa que nem te falo.

- Claro que fala amiga, me conta !!!

- Eu não ia falar nada, mas depois deste prefácio, você vai ter que contar o primeiro capitulo, o segundo e até onde você leu este `livro`!!!

(Sebastião gesticulava e ria louco de curiosidade, de tal forma que acabou fazendo todos rirem do seu jeito)

- Tá bom, não sei como você consegue me fazer rir numa hora dessas...

- Meu amor, fazer rir quem está triste é minha missão no mundo !!! E a sua missão é contar os detalhes mínimos deste babado forte!

- Tá bom, vamos lá. Primeiro, eles se beijaram tipo por horas, assim, língua é pouco, era uma melação daquelas que a gente chega, sente esquentar lá em baixo. Teve uma hora que eu vi que ele se virava pro lado dela e eu me coloquei de forma que eu visse entre as cadeiras. Aí eu vi as mãos dele chegando pra cima dela e literalmente eu vi ele colocar as mãos dentro da blusa dela. Gente, ela gemia ali, no cinema! Eu acho que ela tava se masturbando porque o som que eu ouvi era por aí... Tosco cara, tosco. Ficaram assim bem uns 40 minutos no esfrega, esfrega. Depois cada um ficou quietinho, escorregaram na cadeira e foi silêncio total... Acho que eles deram uma boa gozada e ficaram ali mortos e disfarçando... eu tava quase gritando de raiva. Daí, resolvi sair discretamente antes de terminar o filme pra ela não me ver. Sem noção, gente. Achei que isso não acontecia de verdade dentro de um lugar que tem um bando de gente. Mas o que me deixou morta é que era ela, a garota que me tirou meu Pedro, que fala pra ele que tá esperando um filho dele, e tava se agarrando igual uma puta dentro do cinema com um carinha totalmente desconhecido. Já pensaram se esse filho não é do Pedro ? E eu? Conto pra ele? Ele iria acreditar em mim? Será que ele não merece bem esse chifre? Mas será que se ele soubesse ele não terminava com ela e quem sabe, voltava pra mim?

- Ah amiga, até agora você tava bem, mas vai querer este filho da mãe de novo? Se valoriza amiga!

- Olha, peraí, deixa eu tomar fôlego!!! (disse Sebastião) Caraca, que demais!!! Desculpa, não é isso, não curti... É que eu tô de cara... E sem fôlego mesmo !!! Mas concordo com a Débora, nada a ver você querer esse cara de volta.

- Mas eu ainda adoro ele, gente, não consigo esquecer. Querem saber? Eu até gostei de ver que ela era uma vadia, tanto pelo fato de ele levar um chifre, e eu confesso que foi como se eu pudesse me vingar dele, mas também porque ele poderia ficar livre... Confesso, pronto, falei. Por isso eu tô ficando doida, que eu nem sei o que sinto e o que eu quero... Quero ele, queria não querer... Mas tive vontade de correr pra perto dele na hora e fazer a mesma coisa que os dois fizeram no cinema, mas com o Pedro.

- É, confesso que eu queria fazer isso também... Não com o Pedro, é claro !!!

Os três caíram na risada.

- Vamos combinar, nós três queríamos viver esta cena, né!
(Sebastião falou, numa risada estérica)

- Principalmente com um ilustre desconhecido !!!
(disse Débora)

- Qual é amiga? Você queria mesmo transar num cinema com um cara que nunca viu na vida?

- Ah amiga, uma coisa é o que é certo. Outra coisa é fantasia. Eu nunca pensei nisso, mas agora que você me contou, até senti vontade de ser ela, confesso. Não acho que teria coragem um dia, mas que nesse minutinho eu pensei nisso, ah pensei! Fala aí, se coloca no lugar... Não fica excitada com a idéia?

Marina parou de rir. Parou pra pensar. De repente ficou séria e olhou pra Sebastião que lhe sorria mordendo os dedos, como quem daria a vida pela resposta. O coração começou a disparar e pela primeira vez na vida, pensou em sexo sem ver o corpo de Pedro envolvido na cena. Lembrou do carinha do cinema, nas suas mãos entrando no seu decote e se viu quase levando as próprias mãos entre as pernas. Durou mais ou menos uns 30 segundos tudo isso, mas teve a impressão que estava há muito tempo sentindo aquilo e de repente, caiu numa risada escandalosa. Parou tudo!

- Débora, que é isso que você colocou na minha cabeça amiga? Ufa... Caramba, esquentei!(rs)

- Marina, acho que você começou a sarar agora, neste minuto! Sarar desta praga chamada Pedro!

Parada para refletir no. 2


...
Quando o amor me pega, sou uma estrela, anjo e raiz. Me apego ao que creio e desamo o que não vejo.

Sinto a força do que desejo e me entrego ao que me fascina.

Me controlo quando preciso, no papel de mulher feita; me derramo quando o amor me chama, assumindo a alma de menina.
...

Do texto "Alusões II" de Cássia Portugal.