VERDADE OU CONSEQUÊNCIA

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Qual é o seu jogo?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cena 6 - Duas irmãs... Irmãs ????

Nenhuma das duas tinha razão, mas nunca deixavam por menos. Se uma falava que preferia azul, a outra respondia que o azul a deixaria vulgar pois chamaria muita atenção em sua pele tão branca. A outra por sua vez, respondia com um sorriso maldoso: ‘É, inveja quando não mata aleija! Pelo menos eu chamo a atenção enquanto você, amarelada com o tempo e com sua pobreza de espírito, passa por todo mundo sem sequer ser notada!’.

Bobagem! Eram lindas as duas, mas feias por dentro em sua luta marginal para derrubar uma à outra. Briga originada na infância, no ciúme doentio das duas pelo colo do pai que pouco dava atenção a ambas. Cresceram, mas isso não mudava.

Desencadeava-se então a guerra entre granadas e canhões. Bastava motivo tão fútil para que se fizesse então um vendaval em terras secas de doçura e de generosidade.

No ano anterior tinham chegado ao absurdo de dividirem, ou melhor ‘tomarem’ o mesmo namorado. Pode até parecer ironia do destino. Mas não. Fora mesmo proposital!

Após conhecer Paulo, Ana encantou-se e deslumbrou. Não tardou a desafiar Sara com sua felicidade. Nada falava sobre o dito cujo, nem nome, nem definição de seus traços, até mesmo para garantir a deliciosa sensação de provocar a imaginação da outra ao máximo.

Mas a experiente e perversa Sara descobriu com facilidade: nome, endereço, telefone, gosto, cores, filme preferido e o gosto da boca! Que ardilosa mulher!

Preparou o golpe certeiro, fez-se conhecer de forma impressionante, num dia em que se preparara para ‘matar a um só golpe’! Encantado com sua beleza, charme e cultura, pois que falava sobre qualquer assunto com desenvoltura, Paulo caiu na cilada e se deixou levar, sendo tão tolo e inocente que até lhe dera ao final da noite, seu cartão com o telefone para que ela, caso sentisse saudades, ligasse pra ele. É certo que nesta noite, Sara provocou-o ao máximo, sem deixar que ele lhe tocasse intimamente. E despediu-se com um rápido, único, porém ardente beijo!
No dia seguinte chegou perto de Ana com aquele mesmo sorriso de mulher apaixonada, porém, um pouco mais felina: havia um ‘que’ de vitoriosa!

Ana ficou com a pulga atrás da orelha, claro. Nunca vira tanto frescor, nunca sentira a irmã tão bela ou leve! Aquilo a agredia com o ardor de uma ofensa. Até porque reconhecia em seus olhos o brilho do desejo!

Na hora em que a irmã foi para o banho, lá pela tardinha, após engolir horas de esnobe felicidade, Ana foi até o quarto de Sara e vasculhou a sua bolsa. Remexeu tudo e nada encontrou. Foi até o armário e procurou o casaco com o qual Sara tinha saído na véspera. Após verificar frustrada, que nada iria descobrir, arriscou-se a explorar o celular da irmã.

Foi quando Sara saiu do banheiro de uma vez:
- Está procurando algo que lhe pertença?

Ana engasgou com o próprio ar, começou a tossir desbragadamente, sentou-se na cama e fez uma cena digna de um Oscar.

Sara já acostumada às cenas dramáticas da irmã ignorou, abriu a porta e convidou:

- Por favor, vá tossir em seu quarto, porque aqui não há nada que lhe interesse!

E quando Ana saia, já de nariz em pé (e sem tosses), finalizou:

- Ah, talvez você queira saber onde fui ontem, não é? Imagina menina, que fui ao Império, com uma amiga. Jantamos, dançamos e paqueramos muito! (risos) Conheci um homem fascinante, ele me tirou pra dançar, me propôs um drinque, me seduziu e acabamos passando a noite juntos! Eu estou nas nuvens e ele, está de quatro! Acho que estou namorando! Você não fica feliz?

Ana sentiu o sarcasmo e desconfiou. Sara não era de lhe contar o que fazia ou não em suas noitadas, menos ainda em seus romances. Alguma coisa tinha ali!

- Claro que fico feliz! Tomara que ele te peça em casamento e te leve embora desta casa o mais cedo possível! Só tenho pena do coitado, não sabe onde está se metendo! Posso saber o nome do meu futuro cunhado?
- É óbvio que pode. Paulo. Paulo de Souza Sobrinho. Advogado, alto, moreno, magro, sexy, lindo! Adora música clássica e rock metal! Não é interessante essa mistura?

Bastou. Ana quase desmaiou, desta vez, de verdade.
Como podia Paulo tê-la enganado assim? Como podia trocá-la por aquela ali? Cinco anos mais velha! Uma bruxa maquiavélica que não merecia nem sua atenção, que diria seu amor!

Recompô-se como pode, disfarçou quanto à tonteira, alegando ser o período das regras, deu parabéns à Sara e notou no seu semblante, um riso de canto de boca, que foi a prova cabal : ela sabia o que estava acontecendo! Não havia sido uma armadilha do destino e sim, uma trapaça da sua bela irmã mais velha!



No caminho do seu quarto bolou todo o plano...

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